FUNDO DO MAR

Negrito

No fundo do mar há brancos pavores,

Onde as plantas são animais

E os animais são flores.


Mundo silencioso que não atinge

A agitação das ondas.

Abrem-se rindo conchas redondas,

Baloiça o cavalo-marinho.

Um polvo avança

No desalinho

Dos seus mil braços,

Uma flor dança,

Sem ruído vibram os espaços.


Sobre a areia o tempo poisa


Leve como um lenço.





Mas por mais bela que seja cada coisa


Tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen
(1919 - 2004)

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